terça-feira, 24 de junho de 2008

a lenda do amor pra dois

Pensava que amar infinitamente seria o bastante, que amar ilimitadamente seria o suficiente. Acreditava que com um amor tão grande seria possível amar por dois. Que um amor assim seria, no mínimo, amado e o Outro amaria ser amado por este amor. Um amor assim tão imenso, tão pleno, tão sem senso seria por si algo tão poderoso que transformaria as realidades, mudaria o mundo, enfrentaria todos os limites, proporia novos padrões. Seria uma revolução esse amor. Mas, bastante não foi. O seu lugar foi preenchido pelo padrão confortável das convenções, dos limites sensatos, da formalidade aprovada. Ou sempre foi assim e nem se notou que era assim todo o tempo. Não havia revolução, nem quebra de fórmulas feitas. Não havia nada. Nem amor de verdade. Só ilusão.

reconstrução

E nem era tão importante, nem especial o bastante, nem a grande surpresa da vida, e nem era mágico nem milagre, nem vinha com fitinhas lilases a pretender festas e encantos, e nem amanheceu florido o dia, nem de risos e alegrias todas porque tal aconteceu, e nem foi festejado ou brilhou diferente o dia por conta do feito, e nem a vida se transformou e as borboletas desabrocharam como botões de flores do campo para voarem pelas brisas de verão, e nem foi quase nada ou tudo, só brincadeira e ilusão, jogo e cena, e de todo ocorrido se lucra as férteis águas de março aos frios ventos de junho. No entanto, mesmo nada sendo, o nada não será como antes. Alguma mensagem, aprendizado, sentimento? Ainda será cedo para saber, ainda será tarde demais para fingir que não aconteceu, para pretender não ter acontecido. Ainda será cedo para guardar o guardanapo de papel, secar as mangas ou retocar a maquilagem. Ainda será cedo para reconstruir tamanha desconstrução. Apenas um primeiro passo será necessário para iniciar, apenas um. Este aguarda forças, surpresa da vida, mágica ou milagre... enquanto isso, sobrevive como pode, desesperadamente.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

tem dias

tem dias que são assim: quase nada.
tem dias que são assim: quase tudo.
tem dias que acordo assustada.
tem dias que não durmo.

tem dias que surto, falo, extrapolo.
tem outros que nem sinto, não vejo.
tem tantos que me molho, me afogo.
e bem poucos me enchem de desejo.

tem dias de sol e de lua.
tem outros de silêncio noturno,
que atravesso como se estivesse nua,
me acompanham os anéis de Saturno.

e se paro agora para lembrar de meus dias
é porque já se prepara a vasta hora,
em que meus sonhos seguirão sem medo
para íntimas viagens nesta noite a fora.

sábado, 26 de abril de 2008

silêncio

Era uma vez uma mulher que não falava nunca. Não que ela não falasse, falava, mas só coisas de interesse comum, ou do outro, anemidades, gracejos, agradabilidades, e não o que realmente ela precisava que fosse dito. Em tempos, ousava alguma poesia, própria ou emprestada. Porém, só as emprestadas eram ditas, as demais dormiam à espera de melhor lapidação, momento e propriedade.

Um certo dia, a mulher sentiu que algo lhe subia pela garganta. Alguma coisa de intenso, constrangedor e de uma quase-verdade escatológica. Abriu a boca, parecia que ia vomitar. Mas nada saiu. Ainda ficou à espera por algum tempo. À espera de marimbondos - ou caracteres de palavrões como aparecem nos quadrinhos, mas nada disso aconteceu. Nada. Apenas o silêncio, revelador como nunca dantes ouvido. Acompanhado de lágrimas que brotaram sobre o silêncio... sob algum olhar.

sábado, 19 de abril de 2008

pérolas 2

Por algum tempo, acreditei que jogar pérolas aos porcos valia mais a pena do que dar carnes às hienas. Hoje, prefiro colher delicadamente contas e com terna paciência, guarda-las para, no momento certo -que definirei ou se definirá qual é-, fiar colares de muitas voltas para olhares e adornos mais sutis, mais suaves, mais doces, menos apressados em ver os espelhos, os brilhos, mas atentos às delicadezas dos nacarados, das madrepérolas com tempos de história, formados e transformados nos vai e vem das marés salgadas...

> à Gina Pinto e Dani

terça-feira, 8 de abril de 2008

visão


Ah! Se os surdos olhos dos tolos que me olham embevecidos pudessem ver com lentes de raio X as asas que trago apertados no tórax, espremidas contra o esterno e as costelas, que doem o peito, que pulam pela traquéia como um alien desconhecido, porém meu... Só o tremor lento das minhas mãos delatam essa presença.

-Trago guardadas em meu peito as asas do meu destino...

[foto: Asas do Desejo, filme de Win Wenders]

segunda-feira, 7 de abril de 2008

pérolas

Não gosto de jogar pérolas aos porcos, mas ainda assim vale mais a pena do que dar carne às hienas.

real possível

Hoje não quero a poesia
Quero o grito
O suspiro
O soluço
O silêncio
Profundo
O medo
O abismo
O escuro
O poço
Sem fundo
Quero o que é meu
Não sonho o impossível, o improvável.
Quero o certo, o presente.
O único real que não me abandona.

terça-feira, 1 de abril de 2008

choros

Odeio quem me faz chorar mais do que meus choros cotidianos. Tenho minhas medidas...

domingo, 30 de março de 2008

mortos

Vivo num mundo de mortos. Sonhos e homens mortos.
Com os poucos vivos aprendo a arte de me fingir de viva. Aprendo a mistificação, a sobrevivência entre sorrisos e lágrimas, entre o desespero e a esperança. Aprendo o equilíbrio sobre a corda que leva ao abismo e ao outro lado, também desconhecido.
Com eles, os vivos, aprendo a esperar, a viver através da indignação, da explosão, me rasgando para sobreviver, me mutando e chorando copiosamente pelos mortos, que também são meus.

quinta-feira, 20 de março de 2008

são

Às vezes tenho vontade de brigar, bater, xingar, e ficar com raiva de você. Só às vezes e sempre. Pelo menos uma vez por dia. Por outras, várias vezes por dia. Em vão. E assim eles, os dias, passam, neste misto de amor e dor, prazer e raiva, calmaria e tormenta. Passam: pulsantes e vivos.

???

Como somos, nem eu sei. E você?
Mas pra que entender o inexplicável,
Penetrar o impenetrável?

Esfinge, quem é você?
Sou o labirinto. E você?
Não sei. Mas durmo com o Minotauro.
Conheces Teseu?
Ainda não, mas tenho esperanças: já achei seu cordão...
Encontrando-o, peça um autografo.
Do herói?
Do caminho.

verso

Tem dias que a única coisa que quero é ficar sob a mesa observando os pés e pernas que passam indiferentes à minha figura invisível. Só ficar olhando, plasmando. Na impossibilidade momentânea de um afeto, colo e aconchego, me encolher sob a mesa parece ser uma boa opção. Mas não seria por muito tempo. Logo após o poder da invisibilidade viria o grito imenso e entalado. Desses ensaiados em silêncio durante anos, existências atrás. Desses que nem todo mundo consegue ouvir. Ou tem coragem ou suporta o ruído profundo. Aquele que sem dizer palavra é cheio de significados, ou não - talvez seja só um grito. E por isso todos entendem e sentem medo. Mas por enquanto só quero ficar quieta. Olhar. Deitar num colo físico ou metafísico e aguardar minha hora. A hora de virar do avesso.

quarta-feira, 12 de março de 2008

esfinge

A cada dobra do labirinto,
Eu desconstruo o Minotauro.
A cada movimento da charada,
eu desmistifico a Esfinge.

Um dia não estarei nessas paredes sem fim.
Um dia não aguardarei respostas
Nem ficarei mais na expectativa de ser devorada.

Por hora, ando à procura do fio de Teseu.

terça-feira, 11 de março de 2008

quase nada

felicidade é coisa simples
e pode ser "quase nada",
como deitar num ombro amigo
e se sentir abraçada.

segunda-feira, 3 de março de 2008

o presente

Para você eu gostaria de compor
o verso mais simples, o mais singular,
o mais puro, o mais eterno,
o verso da mais pura inspiração.
Para você eu gostaria de propor
o presente mais suave, mais terno,
mais amável que o próprio Amor,
mais delicado que a Paz,
mais fecundo que a Fé.
Um presente de Poesia e Criação.
E dá-lo de mãos limpas.
De alma lavada e pés descalços.
Sorriso na boca e no coração.

Tentei achar seu presente ou,
pelo menos, me fazer próspera nesta busca.
Tentei.
Mas, não possuo a Singularidade prometida.
Não tenho a Simplicidade desejada.
Não sou e não serei eterna.
E a Inspiração não me assola todos os dias.
Não cultivo a Suavidade, nem provisória.
A Ternura e o Amor me observam
e esperam o momento da aproximação.
A Fé me falta como água a um sedento
num deserto com oásis por todos os lados.
E da Poesia e da Criação,
me sobra a vontade de compartilhar.

Mas, minhas mãos estão limpas, isto eu prometo.
Minha alma lava-se constante e diariamente.
Meus pés não alcançam o chão,
E meu amarelo sorriso se estampa
quotidianamente em meu rosto social.
Às vezes sai às gargalhadas,
em sôfrega busca do Humor perdido na infância.
E meu coração, estupefato,
aguarda notícias, consola, redime
e cuida, como deixo, de meus amores.

Assim, fico devendo o presente verdadeiro,
o entendimento necessário,
o envolvimento preciso.
Tenho apenas este Amor, conciso.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

merda!

A cozinha era grande e de azulejos já craquelados de velhos. Na sala não havia uma, mas o negócio da família, um salão de beleza. Morávamos em um dos quartos, o outro fora alugado, para ajudar nas despesas, para um contador – senhor já idoso que cheirava rapé [aquela coisa com cara de pimenta que faz a gente espirrar até perder o fôlego ou o senso]. No meio da cozinha uma mulher sem rosto – porque não me lembro dele – levanta um copo de água e afirma que está vendo o futuro de minha mãe através daquela água esbranquiçada. Eu criança ainda, talvez uns seis anos de idade, irei me acostumar com essas pessoas, figuras estranhas, participando das nossas vidas e entrando regularmente pela minha casa adentro, esmiuçando detalhes e intimidades. Mas nunca sem critica ou sem minhas defesas armadas. Minha mãe, mulher forte e brigona na vida, era frágil e carente na emoção, e carecia de acreditar em adivinhações, feitiços, misticismos de qualquer fonte. Vivendo rodeada por essas pessoas que se alimentavam ora de sua energia, de sua alegria e, obviamente, de suas finanças. Assim, vendo a menina na cozinha, ela pede: vai para o quarto que aqui vai ser conversa de adulto. Eu, menina, fingi que não ouvi. Não deixaria minha mãe sozinha com aquela mulher. Minha mãe repete, agora num tom mais seco: vai para o quarto que aqui não é lugar para criança. Eu não me mexo. Mulher mentirosa. Dali eu não sairia. Já irritada, minha mãe repete a ordem: sai, vai para o quarto que eu estou mandando. Diante da ordem eu não tinha saída, mas não podia sair sem deixar claro minha indignação, que saiu no formato de um grande e sonoro MERDA! Não vi exatamente de onde veio, mas me deu impressão de ter vindo junto com a última letra da palavra: as costas de uma mão vieram contra minha boca. Senti que algo bateu no meu dente que já estava amolecido. Eu me surpreendi e senti um gosto salgado na boca e algo quente escorrendo pelo meu queixo. Minha mãe usava uma aliança de ouro grossa, feita com várias pequenas jóias – prática comum naquela época e também de grande mau gosto. Quanto sua mão bateu no meu rosto, foi o anel que chegou primeiro e pegou em cheio o dente amolecido e parte dos lábios. Engoli meu dente. Não senti dor, só surpresa, espanto mesmo. Nunca havia levado um tapa do rosto! Minha mãe chorou mais que eu. Antes mesmo do tapa chegar ao meu rosto ela já se arrependera. Pediu para que alguém me acudisse. Vieram várias pessoas. Umas perguntavam se ela estava louca, outras pediam calma, e uma me levou ao banheiro para que eu me lavasse. Não senti dor, estava mole e os joelhos dobravam, estava surpresa. Havia levado um tapa mas sabia que eu estava certa. Com a confusão, a mulher e o copo ficaram no esquecimento. Nunca mais vi a tal mulher com suas adivinhações. Do tapa não lembro da dor, o dente nasceu de novo, como todos os outros que cairiam e nasceriam posteriormente e de forma natural. Só lembro do gosto da vitória, porque mesmo que por caminho tosco, não tive medo de dizer o que pensava, e consegui evitar que minha mãe fosse enganada. Esse esquema de defesa em relação à minha mãe se repetiria durante toda a minha infância e juventude. E ainda hoje me ocorre. Há pouco tempo, aconteceu com um amigo. Eu falei o que pensava sobre um assunto similar, mesmo antes de ouvi-lo completamente. Porque me veio a figura da mulher com o seu copo d’água esbranquiçado a ver futuros. Ele ficou bravo comigo, muito bravo. Gritamos e nos magoamos. Senti, então, o mesmo gosto de sangue em minha boca.
Mas meu dente, mesmo problemático, continua no lugar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

ridícula

O sentimento de ridículo é uma coisa única. Ser ridícula nunca me assustou ou me deteve. Aprendi desde cedo que ser ridícula era o que eu podia fazer de melhor por mim. Desde então, já fui (e sou) ridícula. Não me importo. Só esse sentimento fora de época e lugar e que me comove e reforma tem me incomodado. Esse sentimento ridículo de um amor sem limite ou fim.

relatório

O Impossível acontece como tudo que é esperado, sonhado e acalentado. O próximo passo nem o Destino sabe. Aguarda minha vontade, meu desespero ou minha dor. Ou a piedade de um anjo, talvez. O Real não dá sinais de vida, só o Sonho alimenta a Loucura.

o dia

Noite aflita sem medo,
Madrugada longa e preguiçosa, talvez insone ou algo poética.
Espero, sem ansiedade mas com esperança, o dia, que trará o Sol
E a sutil possibilidade de um sorriso, um carinho, uma ternura?
E quem sabe o que mais?
Ou como será o dia?
E assim de sol a sol,
vivo dia a dia, hora a hora
E morro a cada segundo.

insuficiente

Já nem sei quem sou.
Perdi-me.
Já nem sei o que quero ser.
Perdi o rumo.
Já nem sei pra onde vou.
Perdi o caminho.
Já nem sei o que fazer.
Perdi o jeito.
Já nem sei o que desejo.
Perdi a vontade.
Já nem sei, só sei dessa lágrima
Que não cessa.
Dessa inexperiência e conflito,
desse querer o impróprio, o inatingível,
o inverossímil, o impossível, o inacessível,
de não ser o que sonho, o que gostaria de ser,
aquela que, ainda que transborde o maior amor do mundo,
não poderei ser.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

bares vagabundos e outros lugares

O texto fazia uma relação entre bares ruins e a esquerda intelectual... lembrei dele. Nosso bar preferido que fechou... demos a ele o nome carinhoso de Mosquinha na Parede... em lembrança de todas aquelas decorações “animadas” nos azulejos amarelecidos... a pizza era sem-igual feita na bancada totalmente carcomida que mal se sustentava e arrumada por um garçom de avental sujo mas com uma dedicação que ia desde o corte de rigor milimétrico da calabresa defumada até a entrega orgulhosa na mesa. A massa só Deus e, talvez, o sonolento cozinheiro, sabiam onde e como foi acondicionada e preparada, mas o calor do forno nos dava esperanças e nos protegia de qualquer ataque fulminante de bactérias e similares. Críamos. O chopp era bem tirado e gelado e havia cerveja em garrafa, igualmente bem gelada, que vinha sempre acompanhada de uma dose de cachaça vagabunda: um mimo ao cliente fiel. O café era morno, ralo, muito doce e oferecido de forma gentil: melhor esquecer. Os copos, pratos e talheres não deviam ser examinados de óculos, ou mesmo com o uso do tato, era melhor abstrair. As toalhas, preferíamos sem elas, mas retirando-as não melhoravam muito o quadro ou o suporte onde deveríamos comer, então ficavam, com as pontas para cima da mesa, e evitávamos ralar os cotovelos nelas. Técnicas avançadas de freqüentadores e usuários. Além da pizza, tinha o bife à milanesa com alho sem usura, e arriscávamos, em dias mais corajosos e ousados, novas aventuras: cozidos, feijoadas de sábado, picadinhos, etc. E a clientela nunca nos decepcionava com personagens e causos fascinantes, alguns criávamos a partir das situações presenciadas, das informações fornecidas pelos garçons ou pelos barracos armados - memoráveis! Uma coleção inteira de crônicas, causos e histórias tão humanas. Fechou e nos deixou orfãos... nos sentimos menos guerrilheiros no novo bar do bairro, ainda que tenha o nome de um palhaço imortal e que só aceite pagamento em dinheiro vivo (não eletrônico), os banheiros se projetem para as mesas e as mesas para a calçada...mas o Mosquinha, nunca mais... Hoje o local está fechado, desde então em obras e talvez, dizem, reabra. Mas, nunca será o mesmo. Se trocarem os azulejos, dedetizarem as “decorações”, mudarem os bacalhaus que pendem do teto, e retirarem as garrafas e tralhas diversas que se escondem secularmente sob o balcão, se mudarem os uniformes irreconhecíveis do cozinheiro e dos garçons, se, absurdamente e fatalmente, reformarem a cozinha... nunca mais...nunca será o mesmo... O que já aconteceu. Tempos atrás, e através de uma fresta entre as portas de ferro, vimos, com tristeza, todo o local já “no osso”: azulejos no chão, piso retirado, entulho por todo canto, e a cozinha! Toda desmontada, destruída, e no centro dela um enorme buraco! Parecia um túnel vertical, um poço, como se tudo tivesse sido consumido, tragado por ele! E foi! Desapareceu nosso Mosquinha! Mas ainda mantemos o luto respeitoso - todos os dias e vezes em que passamos ali, de frente ao Palácio da República, no Catete:

- “e o Mosquinha, heim? Tsc... Nunca mais...nunca mais...”


Nota 1: Ah! O nome verdadeiro do Mosquinha! Pizzaria Guanabara, acreditem.

Nota 2: Parecido, mas não igual ao Mosquinha só encontrei em Manaus, no bar do Armando, na praça do Teatro Municipal de Manaus. Não tinha o mesmo apelo sentimental, nem o mesmo público – este sim, tinha um público intelectual de esquerda, ou não. De toda forma, me tocou e fiquei de fotografar o local, mas desisti da idéia porque poderia causar algum desconforto à freguesia, e, no mais, preferi guardar na memória. Quem sabe algum dia?...

Nota 3: O Mosquinha não era, como cita o texto de referência, para "meio intelectual meio de esquerda", era lugar para guerrilheiro mesmo!

Nota 4: Tudo isso é muito o Jaguar. Sempre Pasquim!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

real diário

Todos os dias a realidade me atinge como um soco na cara...

[a frase está tão impregnada na minha cabeça que já nem sei se li em algum lugar ou eu mesma disse, escrevi, pensei... - perda total da noção de realidade...]

domingo, 13 de janeiro de 2008

herança

Essa estrela que você avista,
Talvez nem mais exista.
Pode ter milhões de anos -
Luz que viaja a vida inteira,
Só seu brilho se perpetua...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

hoje

Hoje, apenas um silêncio delicado.
Hoje, só o suspiro, a dor compartilhada,
A ausência e a falta, o lugar vago, o espaço não ocupado.
Hoje não tem música, não tem palavra, não tem ruído
nem assobio que ouse romper o silêncio.
Hoje só a vida paira, do início ao fim,
Magnânima, transcendente, inesperada.