terça-feira, 24 de junho de 2008
a lenda do amor pra dois
reconstrução
sexta-feira, 23 de maio de 2008
tem dias
tem dias que são assim: quase tudo.
tem dias que acordo assustada.
tem dias que não durmo.
tem dias que surto, falo, extrapolo.
tem outros que nem sinto, não vejo.
tem tantos que me molho, me afogo.
e bem poucos me enchem de desejo.
tem dias de sol e de lua.
tem outros de silêncio noturno,
que atravesso como se estivesse nua,
me acompanham os anéis de Saturno.
e se paro agora para lembrar de meus dias
é porque já se prepara a vasta hora,
em que meus sonhos seguirão sem medo
para íntimas viagens nesta noite a fora.
sábado, 26 de abril de 2008
silêncio
Um certo dia, a mulher sentiu que algo lhe subia pela garganta. Alguma coisa de intenso, constrangedor e de uma quase-verdade escatológica. Abriu a boca, parecia que ia vomitar. Mas nada saiu. Ainda ficou à espera por algum tempo. À espera de marimbondos - ou caracteres de palavrões como aparecem nos quadrinhos, mas nada disso aconteceu. Nada. Apenas o silêncio, revelador como nunca dantes ouvido. Acompanhado de lágrimas que brotaram sobre o silêncio... sob algum olhar.
sábado, 19 de abril de 2008
pérolas 2
> à Gina Pinto e Dani
terça-feira, 8 de abril de 2008
visão

Ah! Se os surdos olhos dos tolos que me olham embevecidos pudessem ver com lentes de raio X as asas que trago apertados no tórax, espremidas contra o esterno e as costelas, que doem o peito, que pulam pela traquéia como um alien desconhecido, porém meu... Só o tremor lento das minhas mãos delatam essa presença.
-Trago guardadas em meu peito as asas do meu destino...
[foto: Asas do Desejo, filme de Win Wenders]
segunda-feira, 7 de abril de 2008
pérolas
real possível
Quero o grito
O suspiro
O soluço
O silêncio
Profundo
O medo
O abismo
O escuro
O poço
Sem fundo
Quero o que é meu
Não sonho o impossível, o improvável.
Quero o certo, o presente.
O único real que não me abandona.
terça-feira, 1 de abril de 2008
choros
domingo, 30 de março de 2008
mortos
Com os poucos vivos aprendo a arte de me fingir de viva. Aprendo a mistificação, a sobrevivência entre sorrisos e lágrimas, entre o desespero e a esperança. Aprendo o equilíbrio sobre a corda que leva ao abismo e ao outro lado, também desconhecido.
Com eles, os vivos, aprendo a esperar, a viver através da indignação, da explosão, me rasgando para sobreviver, me mutando e chorando copiosamente pelos mortos, que também são meus.
quinta-feira, 20 de março de 2008
são
???
Mas pra que entender o inexplicável,
Penetrar o impenetrável?
Esfinge, quem é você?
Sou o labirinto. E você?
Não sei. Mas durmo com o Minotauro.
Conheces Teseu?
Ainda não, mas tenho esperanças: já achei seu cordão...
Encontrando-o, peça um autografo.
Do herói?
Do caminho.
verso
quarta-feira, 12 de março de 2008
esfinge
Eu desconstruo o Minotauro.
A cada movimento da charada,
eu desmistifico a Esfinge.
Um dia não estarei nessas paredes sem fim.
Um dia não aguardarei respostas
Nem ficarei mais na expectativa de ser devorada.
Por hora, ando à procura do fio de Teseu.
terça-feira, 11 de março de 2008
quase nada
e pode ser "quase nada",
como deitar num ombro amigo
e se sentir abraçada.
segunda-feira, 3 de março de 2008
o presente
o verso mais simples, o mais singular,
o mais puro, o mais eterno,
o verso da mais pura inspiração.
Para você eu gostaria de propor
o presente mais suave, mais terno,
mais amável que o próprio Amor,
mais delicado que a Paz,
mais fecundo que a Fé.
Um presente de Poesia e Criação.
E dá-lo de mãos limpas.
De alma lavada e pés descalços.
Sorriso na boca e no coração.
Tentei achar seu presente ou,
pelo menos, me fazer próspera nesta busca.
Tentei.
Mas, não possuo a Singularidade prometida.
Não tenho a Simplicidade desejada.
Não sou e não serei eterna.
E a Inspiração não me assola todos os dias.
Não cultivo a Suavidade, nem provisória.
A Ternura e o Amor me observam
e esperam o momento da aproximação.
A Fé me falta como água a um sedento
num deserto com oásis por todos os lados.
E da Poesia e da Criação,
me sobra a vontade de compartilhar.
Mas, minhas mãos estão limpas, isto eu prometo.
Minha alma lava-se constante e diariamente.
Meus pés não alcançam o chão,
E meu amarelo sorriso se estampa
quotidianamente em meu rosto social.
Às vezes sai às gargalhadas,
em sôfrega busca do Humor perdido na infância.
E meu coração, estupefato,
aguarda notícias, consola, redime
e cuida, como deixo, de meus amores.
Assim, fico devendo o presente verdadeiro,
o entendimento necessário,
o envolvimento preciso.
Tenho apenas este Amor, conciso.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
merda!
Mas meu dente, mesmo problemático, continua no lugar.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
ridícula
relatório
o dia
Madrugada longa e preguiçosa, talvez insone ou algo poética.
Espero, sem ansiedade mas com esperança, o dia, que trará o Sol
E a sutil possibilidade de um sorriso, um carinho, uma ternura?
E quem sabe o que mais?
Ou como será o dia?
E assim de sol a sol,
vivo dia a dia, hora a hora
E morro a cada segundo.
insuficiente
Perdi-me.
Já nem sei o que quero ser.
Perdi o rumo.
Já nem sei pra onde vou.
Perdi o caminho.
Já nem sei o que fazer.
Perdi o jeito.
Já nem sei o que desejo.
Perdi a vontade.
Já nem sei, só sei dessa lágrima
Que não cessa.
Dessa inexperiência e conflito,
desse querer o impróprio, o inatingível,
o inverossímil, o impossível, o inacessível,
de não ser o que sonho, o que gostaria de ser,
aquela que, ainda que transborde o maior amor do mundo,
não poderei ser.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
bares vagabundos e outros lugares
- “e o Mosquinha, heim? Tsc... Nunca mais...nunca mais...”
Nota 1: Ah! O nome verdadeiro do Mosquinha! Pizzaria Guanabara, acreditem.
Nota 2: Parecido, mas não igual ao Mosquinha só encontrei em Manaus, no bar do Armando, na praça do Teatro Municipal de Manaus. Não tinha o mesmo apelo sentimental, nem o mesmo público – este sim, tinha um público intelectual de esquerda, ou não. De toda forma, me tocou e fiquei de fotografar o local, mas desisti da idéia porque poderia causar algum desconforto à freguesia, e, no mais, preferi guardar na memória. Quem sabe algum dia?...
Nota 3: O Mosquinha não era, como cita o texto de referência, para "meio intelectual meio de esquerda", era lugar para guerrilheiro mesmo!
Nota 4: Tudo isso é muito o Jaguar. Sempre Pasquim!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
real diário
[a frase está tão impregnada na minha cabeça que já nem sei se li em algum lugar ou eu mesma disse, escrevi, pensei... - perda total da noção de realidade...]
domingo, 13 de janeiro de 2008
herança
Talvez nem mais exista.
Pode ter milhões de anos -
Luz que viaja a vida inteira,
Só seu brilho se perpetua...
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
hoje
Hoje, só o suspiro, a dor compartilhada,
A ausência e a falta, o lugar vago, o espaço não ocupado.
Hoje não tem música, não tem palavra, não tem ruído
nem assobio que ouse romper o silêncio.
Hoje só a vida paira, do início ao fim,
Magnânima, transcendente, inesperada.
