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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

mínimos contos

Boba toda vida em participar desse e-book ao lado de escritores como Augusto Pessoa e Celso Sisto, entre outros. O projeto gráfico é do talentoso super designer Marcos Correa, da Ato Gráfico, a organização foi de Benita Prieto e Julio Diniz. Lançado dia 5 de fevereiro de 2014 num dos eventos mais bacanas do grande Rio - o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, que acontece esse ano no Espaço Niemeyer, em Niterói. O meu conto está na página 53, mas indico ler todos - são de suspense em 140 caracteres, esse era o desafio! Foi divertido e ver agora publicado em projeto tão bonito... presente de início de ano! 
Se quiser ler o livro gratuitamente, é só clicar aqui em baixo! Boa leitura! =)

Contos Mínimos - suspense em 140 caracteres


ISBN 978-85-65126-01-4


Link

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

amante

Amar amava mas nunca soube dizer de amor. Amar amava mas nunca soube viver o amor. Amar amava mas nunca soube mergulhar num mar de amor. Amante num mar de águas findas e finitas só mergulhara com segurança, nunca em apneia, sempre em fundo raso, nunca nas profundidades abissais onde os olhos não cogitam luz. Amar amava sem amor. Sem risco. Um dia de grande tristeza e solidão pensou em parar a busca, matar-se era uma opção. Afogar-se talvez. Mergulhou, enfim, para o azul mais profundo, escamou, criou guelras, depois vieram as nadadeiras, aprendeu a sentir no escuro. As ultimas notícias dos reinos das águas verdadeiras é que se apaixonou por uma jovem senhora celacanto, de linhagem jurássica. Nadam juntos faz algum tempo, nem sempre as marés favorecem, mas quem disse que tem que ser perfeito? Quem disse que seria fácil?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

encontro

De elmo e batom, lá vai a heroína enfrentar seus dragões diários que, de afiados dentes, já esperam por ela no espelho.

sábado, 4 de setembro de 2010

crença

Um dia acordou e se olhando no espelho acreditou estar virando borboleta. Deitou na cama e durante o dia inteiro ficou assim enrolada em lençóis aguardando acontecer. No fim do dia, sentiu-se renovada, tinha certeza que algo tinha acontecido. E abrindo os braços ainda envolta nos lençóis, foi até a janela, bateu os braços para soltá-los e deixá-los mais relaxados, meneou a cabeça, de um lado depois outro, para alinhar a coluna e lançou-se. Voou seu curto vôo, como faz toda borboleta. Floresceu.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

rápido

Pequena história: era uma vez...e nem começou: fim.

fala

E ele ordenou à estátua: - Fala, Fala!
E ela não falou.
E mais uma vez tentou:
- Fala! [humpf....].
- Então não fala, pô!
E ela, então, finalmente, falou.

>> para Platão.

idiota

De tanto dar atenção a idiotas, perdeu-se numa encruzilhada idiota, com cara de idiota. E conta essa história idiota com a maior cara de pau...

>> para Tabacaria, de Fernando Pessoa.

ira

De outra vez, tinha um tigre solitário que vivia zangado e rugia, xingava e gemia. Se apaixonou por uma pedra e nunca mais fez som. Granitou.

>> para Manoel de Barros.

desejo

Num reino distante tinha um moço bonito que só queria o impossível, o distante e o inalcançável. E assim vive, triste e apaixonado pela lua.

>> para a moça que queria morar na lua.

ícaro

Era uma vez uma lesminha que não saia do lugar, se arrastava por ai futurando ser borboleta. Num dia de calor intenso, derreteu e evaporou.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

vertical

A mãe dizia: você é um ser vertical. Passou a vida a olhar os pés. Um dia olhou para o céu e desde então não sente o peso da alma.

>> homenagem a Lygia Clark.

grito

Para cada palavra, um grito. Até um dia que as palavras assustadas fugiram pra outro reino e nunca mais se ouviu falar delas, nem dele.

palavras

As palavras não vinham, por mais que ela tentasse. Um dia, as chamou pelos nomes e elas vieram aos montes. Vivem juntas e felizes até hoje.

>> para Eduardo Galeano.

paixão

Um dia ficou sabendo que a vida era curta e que não esperava as soluções perfeitas. Não dormiu à noite. E apaixonou-se pelo sol de todo dia.

decisão

De tanto chorar fez sulcos na pele. Uma providência haveria de ser tomada: um secador de lagrimas ou um antidepressivo. Decidiu ser feliz.

magia

e ela que parecia uma fada, enfiou sua varinha no saco, olhou para os lados, escolheu uma direção sem certeza mas com convicção e foi embora.

>> para Bartolomeu Campos de Queirós.

tédio

O tédio dele a matava de tédio e a deprimia. Como resolver? Tentou sapatear, rir, gritar. Em vão. Entediou-se de tentar.

teatro

Passou a vida ensaiando a morte. Morreu. Pronto e com o texto na ponta da língua.