Bom é ser visita,
ser passagem,
passageiro,
alienígena.
Bom é ser
surpresa,
inédita,
notícia.
Bom é ser agora
hoje, que amanhã
não tem.
O imediato,
o que nem
sempre é
ou vem.
Há os que querem eternidades,
eu, viagem.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
mínimos contos
Boba toda vida em participar desse e-book ao lado de escritores como Augusto Pessoa e Celso Sisto, entre outros. O projeto gráfico é do talentoso super designer Marcos Correa, da Ato Gráfico, a organização foi de Benita Prieto e Julio Diniz. Lançado dia 5 de fevereiro de 2014 num dos eventos mais bacanas do grande Rio - o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, que acontece esse ano no Espaço Niemeyer, em Niterói. O meu conto está na página 53, mas indico ler todos - são de suspense em 140 caracteres, esse era o desafio! Foi divertido e ver agora publicado em projeto tão bonito... presente de início de ano!
Se quiser ler o livro gratuitamente, é só clicar aqui em baixo! Boa leitura! =)
Contos Mínimos - suspense em 140 caracteres
ISBN 978-85-65126-01-4
Link
Se quiser ler o livro gratuitamente, é só clicar aqui em baixo! Boa leitura! =)
Contos Mínimos - suspense em 140 caracteres
ISBN 978-85-65126-01-4
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
do homem aflito
Do homem aflito me dêem
as perdas, apenas elas,
para que delas se façam buscas
e resulte em boas novas.
Do homem aflito me enviem
os termos não ditos, à forçaas perdas, apenas elas,
para que delas se façam buscas
e resulte em boas novas.
Do homem aflito me enviem
encolhidos, engolidos,
para que deles se faça renovação.
Do homem aflito me mande a tristeza, para que deles se faça renovação.
para que dela se faça poesia.
Do homem aflito me entregue a revolta
para que dela se faça uma revolução.
Do homem aflito me entregue a revolta
para que dela se faça uma revolução.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
o poço
no fundo um gemido
menos que um urro
mais que um suspiro
[respiro]
ensaio de grito
escalando muros
pedra a pedra
suspeitando luz
fugindo do escuro
esperança
palmo a palmo
dedos a retalhos
ralos
unhas quebram postiças
próteses rompem promíscuas
nenhum artifício
suporta o ofício
de surgir
por esforço máximo
usa-se os dentes
lábios
e desespero
[respiro]
chorar não é válido
só vão
lágrimas só aumentariam
o volume das águas,
tantas...
que seguem e servem
para salgar o escuro
temperar o árido
lembrar do mar
sentir a brisa
cheirar maresia
ouvir o barulho das ondas
riso na areia
suor escorrendo
nas costas
na testa
sangue nas veias
[inspiro]
a subida é longa
e tanta que
duvida-se, em vezes,
se sobe ou desce,
já que nem a luz denuncia,
visto que pode ser
reflexo da luz verdadeira
miragem de liberdade
porém mesmo o espelho
indica que há
em lugar próximo
alguma
luz
[expiro]
a escalada continua
se para baixo
ou para cima
só o tempo dirá
ou nem isso
só
o movimento
denuncia a vida
repele o indesejável
afirma a intenção
assalta a escuridão
e por hora
isso que nem é tanto
já basta
[espero...]
menos que um urro
mais que um suspiro
[respiro]
ensaio de grito
escalando muros
pedra a pedra
suspeitando luz
fugindo do escuro
esperança
palmo a palmo
dedos a retalhos
ralos
unhas quebram postiças
próteses rompem promíscuas
nenhum artifício
suporta o ofício
de surgir
por esforço máximo
usa-se os dentes
lábios
e desespero
[respiro]
chorar não é válido
só vão
lágrimas só aumentariam
o volume das águas,
tantas...
que seguem e servem
para salgar o escuro
temperar o árido
lembrar do mar
sentir a brisa
cheirar maresia
ouvir o barulho das ondas
riso na areia
suor escorrendo
nas costas
na testa
sangue nas veias
[inspiro]
a subida é longa
e tanta que
duvida-se, em vezes,
se sobe ou desce,
já que nem a luz denuncia,
visto que pode ser
reflexo da luz verdadeira
miragem de liberdade
porém mesmo o espelho
indica que há
em lugar próximo
alguma
luz
[expiro]
a escalada continua
se para baixo
ou para cima
só o tempo dirá
ou nem isso
só
o movimento
denuncia a vida
repele o indesejável
afirma a intenção
assalta a escuridão
e por hora
isso que nem é tanto
já basta
[espero...]
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
do alto do prédio de 12 andares, ela pula...
O que é um ano? 365 dias conforme definido por um tal Gregório que ninguém sabe nem viu... E se visse nao faria a menor diferença... Um ano, um ciclo, algo pra se contar, contabilizar, marcar, celebrar o rito de passagem, rota, rôta passagem pela vida à fora. O que é um ano? 365 dias x 24h x 60min x 60seg, que pode ser igual a um lapso ou eternidade... Não causa causo, de todo jeito celebraremos a virada do ano, juntando memória e projeto, como sempre tem sido. E como a menininha de Quintana que pula do 12o andar, recitaremos de novo e devagar o próprio nome: ES-PE-RAN-ÇA!
texto e arte: lux
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
um galo
um galo nao usa sapatos
mas sapatos podem ser usados caso
os galos cantem fora de hora
como o galo da minha mae
que cantava de uma em uma hora
durante toda a madrugada.
um galo nao usa sapatos
mas um sapato pode fazer um galo
se jogado na cabeça de alguém
como acontecem nos desenhos animados
e como fazia minha vó
quando estava zangada com alguém.
um galo pode doer ou sentir dor
pode cantar ou latejar
um sapato não, só voa, às vezes...
p/jcmneto
texto e arte: lux
orfeu
São Cornélio!
Cipriano!
São Jorge Guerreiro que ajude
Ogunhê, Ogum!
Que na loja do diabo tem de um tudo:
sorte, bundas, peitos,
gentes,corpos,almas,
a 1,99
mas na promoção fica a 5,99
[quase 6,00!]
...e não é só isso!
você ainda leva
inteiramente GRÁTIS
[quase 6,00!]
...e não é só isso!
você ainda leva
inteiramente GRÁTIS
+ 20 km
de descida sem escalas
de descida sem escalas
aos quintos dos infernos.
atenção:
essa oferta é por tempo ilimitado
não vai acabar...
texto e arte: lux
atenção:
essa oferta é por tempo ilimitado
não vai acabar...
texto e arte: lux
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
desesperada mente
A esperança espera. o desespero desespera.
Para ter esperança é preciso estar desesperado.
p/andré comte-sponville
p/andré comte-sponville
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pausa para os comerciais...
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
[silêncio]
Fala com paixão ou cala tua boca.
Calada tua paixão morre de tédio.
Deserto de tudo, até de ti.
Portanto, fala, fala
não só com tua boca,
mas com teu corpo,
com tua alma,
com teu espirito!
Calada tua paixão morre de tédio.
Deserto de tudo, até de ti.
Portanto, fala, fala
não só com tua boca,
mas com teu corpo,
com tua alma,
com teu espirito!
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
amante
Amar amava mas nunca soube dizer de amor. Amar amava mas nunca soube viver o amor. Amar amava mas nunca soube mergulhar num mar de amor. Amante num mar de águas findas e finitas só mergulhara com segurança, nunca em apneia, sempre em fundo raso, nunca nas profundidades abissais onde os olhos não cogitam luz. Amar amava sem amor. Sem risco. Um dia de grande tristeza e solidão pensou em parar a busca, matar-se era uma opção. Afogar-se talvez. Mergulhou, enfim, para o azul mais profundo, escamou, criou guelras, depois vieram as nadadeiras, aprendeu a sentir no escuro. As ultimas notícias dos reinos das águas verdadeiras é que se apaixonou por uma jovem senhora celacanto, de linhagem jurássica. Nadam juntos faz algum tempo, nem sempre as marés favorecem, mas quem disse que tem que ser perfeito? Quem disse que seria fácil?
terça-feira, 26 de novembro de 2013
rondózinho
mosquitos gostam de cotovelos,
cotovelos dores,
dores amores,
amores cores
cores gostam de arco-Íris
a íris gosta de olhares
olhares de paisagem
paisagem de luz
luz de céu
céu de estrelas
estrelas gostam do sol
sol de calor
calor de amor
amor de dor
cotovelos
mosquitos...
vixê, rondó esquisito...
cotovelos dores,
dores amores,
amores cores
cores gostam de arco-Íris
a íris gosta de olhares
olhares de paisagem
paisagem de luz
luz de céu
céu de estrelas
estrelas gostam do sol
sol de calor
calor de amor
amor de dor
cotovelos
mosquitos...
vixê, rondó esquisito...
terça-feira, 19 de novembro de 2013
para navegar no Tempo
para navegar no Tempo,
se é o pretendido,
melhor separar
luneta de tempo,
relógio não serve,
ampulheta talvez
para marcar compassos,
régua de medir vento
pode ajudar, as de cálculo
só para previsões do tempo
- navegar com tempo ruim,
pode interferir no Tempo da viagem,
porém não há explicações cientificas
sobre o fenômeno, nem previsões
sobre os imprevistos...
mistério embarca nessa nave,
sempre bem-vindo e
tripulante hábil
tão antigo como uma criança.
Sei,
de cor e salteado
em histórias
como se dá a viagem,
mas não sei do caminho,
dele só tenho mapas mentais,
memoriais, emocionais...
que nunca são lidos
da mesma forma
e mudam conforme
o observador,
como tudo ao final das contas...
para navegar no Tempo
é preciso espaço,
gostar da velocidade
seja ela qual for,
e uma certa aceleração
no músculo cardíaco
diante dos afetos,
da arte e da poesia.
para navegar no Tempo
é preciso perde-lo.
p/Tiç
p/Tiç
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chutando o balde das horas
segunda-feira, 4 de junho de 2012
a lição da água
A água destila
e desliza
na superfície lisa
do frio espelho.
E o que era turvo
claro fica
e em gota escorre
como rio
na face espelhada.
p/alcina e joão.
e desliza
na superfície lisa
do frio espelho.
E o que era turvo
claro fica
e em gota escorre
como rio
na face espelhada.
p/alcina e joão.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Alt Fest ! Fliporto: 20 Selecionad@s para o Livro Prêmio Alt Fest ! Poe...
Alt Fest ! Fliporto: 20 Selecionad@s para o Livro Prêmio Alt Fest ! Poe...: 20 Selecionad@s para o Livro Prêmio Alt Fest ! Poesia * Patrocínio Fliporto
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
intimidades
O olhar no buraco
da fechadura
observa sem pudores.
Levanta-lhe as saias,
enfia a mão pela braguilha,
tatea umidade,
fareja odores.
Sente crescer na língua
o gosto na boca.
E, então, de palavra preenchida,
lambe os beiços.
Arte: Manara
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
palavra
terça-feira, 31 de maio de 2011
fashion
É, eu já tive uma ideologia
Sou desse tempo...
Depois isso saiu de moda
Não consegui acompanhar a moda
E fiquei por muito tempo
Fora de moda.
Há pouco tempo aprendi
Uma expressão nova
para a antiga ideologia:
- visão de mundo
Gostei.
E acompanhando a tendência
Hoje sou uma pessoa que
Tem uma visão de mundo.
Estou na moda,
De novo.
Sou desse tempo...
Depois isso saiu de moda
Não consegui acompanhar a moda
E fiquei por muito tempo
Fora de moda.
Há pouco tempo aprendi
Uma expressão nova
para a antiga ideologia:
- visão de mundo
Gostei.
E acompanhando a tendência
Hoje sou uma pessoa que
Tem uma visão de mundo.
Estou na moda,
De novo.
sábado, 16 de abril de 2011
CEP 20000 - 10 Anos!
cd celebrando os 10 anos do CEP 20000, clique e deixe rolar a poesia falada e cantada:
cepvintemil by rchacal
cepvintemil by rchacal
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
silêncios
Mais dificeis que as rimas e toda prosa, são os silêncios...
Há os silêncios que falam mas há os mudos que não encontram palavras, e há os que mesmo sabendo das palavras não acham nenhuma que os definam...
São silêncios sem beijo, poeta. São silêncios que silenciam baixinho como os chororos versados por Gil...
São também silêncios sem dor, talvez alguma apenas, acostumados que ficaram. São mais instantes eternidades, hiatos, passamentos...
Por isso, tem dias que se quer falar sem falar, de dizer sem ter que dizer, e, então esperamos que os silêncios possam falar por nós...
Mas quem terá ouvidos para ouvir silêncios?
>> agradecida a mônica gonçalves!
Há os silêncios que falam mas há os mudos que não encontram palavras, e há os que mesmo sabendo das palavras não acham nenhuma que os definam...
São silêncios sem beijo, poeta. São silêncios que silenciam baixinho como os chororos versados por Gil...
São também silêncios sem dor, talvez alguma apenas, acostumados que ficaram. São mais instantes eternidades, hiatos, passamentos...
Por isso, tem dias que se quer falar sem falar, de dizer sem ter que dizer, e, então esperamos que os silêncios possam falar por nós...
Mas quem terá ouvidos para ouvir silêncios?
>> agradecida a mônica gonçalves!
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machucado
Quando criança, de vez em sempre, machucava-me brincando, ralava-me toda, joelhos em carne viva, e pior que o machucado era o curativo...
...minha mãe lavava com água e sabão, e, às vezes, era preciso usar uma escovinha para retirar as sujeiras mais profundas, para não infeccionar depois...
...uma casquinha nascia -que bom!- mas começava a coçar. Minha mãe então retirava aquela casca e refazia o curativo, de novo para não infeccionar -que dor! ...
...hoje levo comigo as marcas de meus tombos e machucados, alguns mais marcados outros menos, e fazem parte do que eu sou....
... cada machucado marcado em meu corpo tem marca na minha memória e por isso tem historia que conto com orgulho de quem teve infância...
...depois, na adolescência, meus machucados seriam outros, mas minha mãe ainda vinha e dizia: vai passar, demora, vai deixar marcas, mas passa..
... hoje, sei que meus machucados doem mas podem ser tratados e deixarão marcas, e ainda ouço minha mãe amorosamente dizer que vão passar...
...e como nada até hoje tenha contradito o que minha mãe dizia e diz, ainda acredito que as dores passam e somam histórias na minha história...
...minha mãe lavava com água e sabão, e, às vezes, era preciso usar uma escovinha para retirar as sujeiras mais profundas, para não infeccionar depois...
...uma casquinha nascia -que bom!- mas começava a coçar. Minha mãe então retirava aquela casca e refazia o curativo, de novo para não infeccionar -que dor! ...
...hoje levo comigo as marcas de meus tombos e machucados, alguns mais marcados outros menos, e fazem parte do que eu sou....
... cada machucado marcado em meu corpo tem marca na minha memória e por isso tem historia que conto com orgulho de quem teve infância...
...depois, na adolescência, meus machucados seriam outros, mas minha mãe ainda vinha e dizia: vai passar, demora, vai deixar marcas, mas passa..
... hoje, sei que meus machucados doem mas podem ser tratados e deixarão marcas, e ainda ouço minha mãe amorosamente dizer que vão passar...
...e como nada até hoje tenha contradito o que minha mãe dizia e diz, ainda acredito que as dores passam e somam histórias na minha história...
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pequenos contos íntimos
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
encontro
De elmo e batom, lá vai a heroína enfrentar seus dragões diários que, de afiados dentes, já esperam por ela no espelho.
sábado, 4 de setembro de 2010
crença
Um dia acordou e se olhando no espelho acreditou estar virando borboleta. Deitou na cama e durante o dia inteiro ficou assim enrolada em lençóis aguardando acontecer. No fim do dia, sentiu-se renovada, tinha certeza que algo tinha acontecido. E abrindo os braços ainda envolta nos lençóis, foi até a janela, bateu os braços para soltá-los e deixá-los mais relaxados, meneou a cabeça, de um lado depois outro, para alinhar a coluna e lançou-se. Voou seu curto vôo, como faz toda borboleta. Floresceu.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
rápido
Pequena história: era uma vez...e nem começou: fim.
fala
E ele ordenou à estátua: - Fala, Fala!
E ela não falou.
E mais uma vez tentou:
- Fala! [humpf....].
- Então não fala, pô!
E ela, então, finalmente, falou.
>> para Platão.
E ela não falou.
E mais uma vez tentou:
- Fala! [humpf....].
- Então não fala, pô!
E ela, então, finalmente, falou.
>> para Platão.
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