sábado, 31 de outubro de 2009

morfina

Não dói mais.
Não sinto dor.
Só um amortecimento.
Um abandono,
De sentidos,
De sentimentos.
Como alguém que desiste de nadar e espera.
Apaticamente espera,
Ser preenchida de águas,
Marés salgadas,
De mar.
Não tenho mais dor
É fato
Não penso e não choro.
Insípida, inodora e incolor.
Mansa e indolor,
A dor me tem.

Um comentário:

Vinícius Silva disse...

De certa forma é dessa maneira que os fluidos vêm. Como?

Pode ser maré alta, chuva torrencial, rios largos, canais doces, água de chuva, mangues vivos, córrego de cidade pequena, restos de sorvete, leite derramado, leite peito de mãe, etc.

São nestes momentos que nossas almas estão abertas para conjugar os mais diversos estilos de energias e pessoas. Morfina também nos tira o peso da racionalidade extrema.

Então é bom voar bem alto para daqui a pouco estar de novo com os pés na terra. Os amigos costumam ser boas "asas"...

Besos.